tagarelar, é o que farei aqui, falar à toa de tudo e de nada, brincar com as imagens, as palavras, as ideias, e reparar depois que o tempo passou e como passou.
segunda-feira, fevereiro 15, 2010
"Julie & Julia"
pensar sobre várias coisas, umas mais pertinentes que outras.
o modo de estar de cada ser, a sua vibração no planeta, é tão importante.
a vocação de cada um, como a distinguir? é possível consumir os dias de uma vida e não vislumbrar sinal dessa vocação? ok, gosto de escrever, pode até ser importante para mim mas que importância pode isso ter para os outros? este subnutrido pseudo-blog pode responder algo a estas questões: compromisso, determinação e força de insuficiente frescura, insonça a acção e excesso de ilusão em clara de ovo batida em castelo. apenas de mim depende o passo para mudar.
let's see, bon apetit !
quinta-feira, setembro 10, 2009
oração
sobre mim
guia-me,
ilumina-me,
alimenta-me,
a mim e a todos os seres
carentes da Tua Luz.
9-9-09
terça-feira, setembro 01, 2009
Check-Point Charlie
andamento no percurso: desorientação, elevada perda de recursos seguindo por rotas inuteis.
nível de combustível: energia, de qualidade inferior, esgotada e sem reservas alternativas.
apresentação do motor: gripado, aos roncos e solavancos descoordenados.
circuito eléctrico: off, baixa voltagem, inexpressiva no andamento.
qualidade dos pneus: nas lonas, mecânicamente descalço.
aspecto da carroçaria: mole e amolgada, coberta pelo pó dos dias da viagem.
alcance de faróis e farolins: embaciados quando não fundidos, piscam mas nada alcaçam a não ser halos imaginários.
capacidade dos travões: nem há vestígios, travar é um acto desconhecido.
apreciação do condutor:...perdeu-se algures no percurso, adormeceu à sombra da azinheira.
Apreciação da prova: antes de sonhares correr aprende primeiro a andar.
segunda-feira, agosto 17, 2009
“assim no céu como na terra”
emoção no fio da navalha:
ficar quieto ou fritar,
a fritar e a aquietar.
pé nu sobre a lâmina
da rocha escarpada,
no cimo e no fundo
e nunca em lado nenhum.
golpe de asa que eleva
o que a alma devia ser,
fortaleza de osso e nervo
enclausura no corpo a medula.
no divino peito coração anavalhado,
a mando de uma mente
que sabe que mente,
subjuga os andarilhos da vida,
a quem o impulso amordaça.
a luz é neblina baça intoxicante
a vontade impura, por nascer.
que o sol nasça de manhãzinha
rompa negras correntes
e derreta armas que ferem,
abençoe a luz que penetra virgem
no interno olho de cada ser.
assim, esse ser renascido,
em metamorfose estrelar
retome coração, corpo e alma
e respire.
terça-feira, agosto 04, 2009
Eu sabia que um ser morreria
e sabia que outro nasceria,
da dor da morte
surge a vontade de nascer,
pela vontade se nasce vivo
sem vontade se é eterno morto,
no desejo de quietude
inrompes na vida inteiro,
em movimento descoordenado
te atropelas e jamais acharás
a porta que em consciencia tens que abrir,
na quietude e no vazio
te elevas e preenches de verdadeira vida,
por aí valerá o esforço de morrer
e a graça de renascer vivo.
terça-feira, junho 23, 2009
à Blue, nova amiga na C.-E.
E então, Ele passa os dias rindo, perdendo-se nas dunas do deserto do Paraíso, tropeçando nas imensas, grossas e coloridas rastas cor de chocolate e laivos violeta que encobrem, conforme balança a anca, a pele etíope do seu rosto magro, e inflama as avenidas das narinas para retomar a gargalhada, semi-cerrando em extase os olhos cor de noite de lua cheia. E eu compreendo-O, sinceramente olhos azuis, Blue...
AH, ele pediu para te dizer que aquela tarde que passaram juntos no óasis, foi bué da fixe !
dá notícias eu dou beijinhos !!
Cristina
sábado, junho 20, 2009
exercício de ILM, som de taças tibetanas, resposta à questão "cortar ou ficar?"
alerta, aprender o que não é evidente, repetindo,
atenção ao óbvio que esconde algo.
continuidade na impermanência, responder depois de escutar o inaudível.
o toque do gongo não se ouve debaixo de água, sente-se.
para lá do óbvio há algo mais que ainda não sei o que é.
estar atenta ao que não se ouve mas vibra, é aqui que está a mensagem,
conciliar e evoluir.
repete-se mas não é igual, é novo,
renovando avisos, acorda, age!
ainda que vás no caminho certo continuarás a receber avisos,
é esse o verdadeiro Amor.
se surgirem escadarias na tua frente, não fujas,
não é ainda a hora de subir.
mesmo que não oiças o gongo distante,
ele continuará a vibrar dentro de ti, festeja!
o som vibra na altitude onde o ar é mais puro,
em baixo, no meio das pedras, recorda-o.
sempre terás dúvidas, sempre terás respostas.
fica e leva o som de ouro do gongo ao coração do outro.
no topo da montanha não há solidão, é lá que vibra o ar pleno de som.
no topo da montanha sorri, alguem estará tocando o gongo
para que o ar à tua volta vibre dourado.
enquanto caminhas perdida,
em cada passo no escuro que dás,
te nasce debaixo do pé a resposta
à pergunta que ainda não fizeste.
Cristina Dinis Roldao
quinta-feira, junho 18, 2009
So, you say it is “needing”,
never wanted to call it so,
it’s like assuming my weakness.
A woman like me would die
before assuming any kind of needy,
never such weakness.
For so long painted a self-portrait
of a wild horse ridding woman
but…so simple, so quick, so short
in a moment the horse is as hard as a cloud
as wild as a worm and so like nothing.
In this instant “needing” rides over me
and I’m no cloud, no worm, nothing
underneath the horse-power of need.
Yes, it is “needing”, it has always been “needing”,
wanted to disguise it of anything else
like strength, knowledge, whatever it was,
it was fake, a mask, a hide away,
never knowing that the beast
is right inside me.
Yes, you’re right and I don’t want you to be right.
I want the reality,
not a fantasy of wild horses to ride
or this silly being ridding clouds.
I don´t want,
I’m so sorry you’re right,
I’m so sorry you hurted me,
I’m so sorry you escaped from my heart
Like a horse trough out a dream
and I was left holding on to a cloud
that can never be ridden.
I’m so sorry the horse run away
from my awaken-dream
and turned all it’s power into “need".
terça-feira, maio 19, 2009
quarta-feira, maio 13, 2009
é isto que não percebo...
cansada até à medula como estou, da carência, da repetição, da cegueira, da obcessão, da fraqueza, da compulsão... porque me mantenho no mesmo registo, na mesma cadeia, na mesma corrente, roda dentada, passo parado, perdida e presa ao chão ?... Entra pela vista dentro, sem pedir licença, que não gosto de ser, estar, ter ou fazer conforme até aqui, logo saltita a solução catita, mudar, é tão simples, são só cinco letrinhas... Não será mudar para outros registos assentes noutras rodas dentadas, se calhar a grande mudança é conseguir passar a gostar de ser, estar, ter ou fazer conforme o que surge no meu caminho. Mas isso é a pura lei do acidente e sei que não posso querer isso para mim, além disso, não me satisfaz...caramba, se um murro resolvesse isto....
segunda-feira, maio 04, 2009
OK...prontos...não foi mau....
Puxando um pouco a nota para cima, podemos considerar os últimos dias como pequeninos passos na afirmação de "bom-dono-de-casa". Até que ponto foram passos voluntários e conscientes? Não foi um pouco como o rodopio do vendaval do destino e do acaso - a lei do acidente?
Estive lá, caminhei no seu sentido, desperta...mas não sei se foi um esforço inteiro e maduro...
Os centros mental e emocional continuam empanados por excesso de detritos, são ancoras para o corpo fisico que sonha ser etérico.Voar não é fácil, amarrada à vida.
quinta-feira, março 26, 2009
Sobreviver
A mente mastiga
a mesma chiclete de sempre,
chateia chupar esta
estucha sem gosto.
Pinote desarticulado
da raquítica mente
que esperneia parva
sonhando-se alada.
Hálito solar que entontece,
ilude a fibra da emoção
e no súbito vómito
soçobra e sucumbe no chão.
Repetido achaque,
mancha na vista deslavada,
verruga ventricular,
calor de arrepiar
que não aquece nem refresca.
Dado putrefacto
com que de novo me debato
e me mato na incompetência
da minha sobrevivência.
Insalubre sanidade.
terça-feira, março 24, 2009
Da intenção é preciso ir á acção.
Silhueta a quem falta o corpo,
brisa sem movimento,
orvalho que não nutre.
Ficar a meio do Caminho é nada,
é apenas metade do caminho,
suficiente se não tens uma ideia
para materializar.
Armário povoado de ar límbico
onde nada é perfeito ou imperfeito
porque nada está cumprido.
Se cumprir uma tarefa é um objectivo válido,
alinhavar ideias, mapear momentos,
podem ser o ponto de partida.
É preciso continuar, inquestionávelmente ?
Onde colher os frutos
que hão-de nutrir a Vontade ?
Talvez a vontade seja um fruto
já nascido no corpo com que vim ao mundo.
Que chuva não caiu sobre esse fruto
que parece tão minusculo?
Incipiente seiva o gerou ? Nunca.
Opaca Luz o ilumina? Não creio.
Desajeitado o meu jeito de colher frutos.
Vivemos em casa de duas senhoras gatas, a Jasmim, filha da D. Matilde, e a Foxie, que ainda mal abria os olhos e já não viu a mãe, desencontrada nalguma esquina da vida.
Na perspectiva felina é assim que acontecem as coisas, os gatos de vez enquando têm uns acessos rápidos e repentinos de paciência e lá permitem, prontos...vá lá....que alguns bichos-gente se sirvam das “suas” camas, edredons, sofás, roupa para engomar, pantufas, mesas, papeis importantes e o que mais por ali houver mesmo que tenha um ar muito arrumadinho ou limpinho. Ficamos-lhe tão gratos por isso que as consideramos mais e melhor que a alguns parentes, especialmente aqueles que não gostam de gatos!
Eu e o marido sempre tivemos este previlégio de conviver com bicharocos. Cheguei a ter um frango de estimação que era meio tonto e coxo, salvei-o de morte prematura quando coloquei á luz do sol da manhã o ovo que ele nunca mais bicava para nascer, já os irmãos andavam a esgravar “numa boa”, depois aqueci-o e massagei-o e sobreviveu.
Estive quase a ter um ouriço caixeiro que o meu pai me trouxe, não tivesse ele fugido no minuto em que o pai me foi buscar para o ver.
O meu marido, petiz, brincava aos cow-boys no campo com uma cabrinha, acho que ela fazia de indio.
Enquanto não tivemos filhos, tivemos gatos, que tinham os respectivos nomes bordados na toalha de banho.
Depois tivemos filhos e durante um certo tempo não se consegue ter mais nada.
Mais tarde, com os filhos um pouco mais “domesticados” e depois de algumas asneiras como comprar dois hamsters, um para cada miudo, e verificar passados dias que a fémea estava de esperanças, dez ou doze esperanças. Era um casal ! Os casais acasalam e no caso dos hamsters é quase um cenário dantesco, porque após o parto a fémea come os filhotes/ervilhas para voltar a acasalar.
Conseguimos deixá-los, em gaiolas separadas, na loja de um benovolente comerciante que os ofereceria a quem mostrasse interesse.
O “bichinho” dos bicharocos intensificava-se nos miudos e em mim, só o marido não apoiava esta tola ideia, pensando nos encargos, no trabalho e sujeira que esta opção acarreta, mas como estava em minoria.... Choramingando aqui e ali, com o apoio dos miudos sempre em afinado coro, uma pessoa amiga sabendo da gravidez não planeada da D. Matilde Siamesa por obra e graça de um casanova que não lhe largava a janela, convenceu-me a convencer o marido a adoptar 250 g de bichinho peludo. Não consegui convencê-lo mas passadas algumas semanas de amamentação foi roubada á sua mamã para entrar na nossa casa, é um casa de tótós concerteza !
A Jasmim pequenina, era cuidada com tanto desvelo como um bebé, toda e qualquer asneira que fazia era motivo de graça e conversa durante semanas. O minoritário marido estava a ficar mais apaixonado que o previsto e quando chegou a hora de ir de férias procuramos criteriosamente parques de compismo que aceitassem animais, são poucos mas encontramos, pode dizer-se que o mais recente elemento da familia definiu o destino das nossas férias. Não é especialmente sociavel, ou seja não é do género de se rebolar aos nossos pés para lhe fazermos festinhas, pelo contrário, prescinde bem de todo e qualquer contacto, se alguem insiste, recebe de imediato uma bofetada de gato, só para relembrar, excepção feita ao seu apaixonado, o marido, o tal que estava em minoria, só ele lhe pode fazer as festinhas todas que quiser....
Poucos meses passados, num dia chuvoso e frio, pelas 17.40 horas, que é a hora a que o meu filho chega da escola, tocou a campainha e quando abri a porta reparei que para além de encharcado, tinha um brilhozinho estranho no olhar e uma coisa não especificada que parecia uma bola achatada de pelo molhado, quatro patitas espetadas e que miava de susto, frio, fome. Passados alguns segundos de total confusão cheguei á conclusão de que era um gato, ou melhor uma gata !
Ainda de olhar esgroviado perguntei:
- Pedro, onde foste buscar este gatinho ? Nós já temos a Jasmim...e agora ?
- Estava no meio do passeio, perdido e assustado, olhei em volta e não vi nenhum gato com cara de mãe, se o deixasse lá, como estava tão perto da estrada ainda era atropelado ou atacado por algum cão ou ....
Devolver o aflito animal ao lugar de onde tinha vindo, era impossível, há que procurar soluções. O marido ficou á beira de um ataque de pânico, tinhamos pago um dinheirão no veterinário uns dias antes.... a Catarina sentiu os ventriculos todos misturados com as auriculas assim que a viu, cheirou-me logo que havia ali outra paixão gateza.
Fez-se um reunião de emergência, onde ficou claro que tinhamos que nos esforçar para não nos afeiçoarmos ao gatito porque a intenção era arranjar um dono que pudesse ficar com ele, entretanto podiamos dar-lhe um nome: estava tão magrinha, desguedelhada e sendo cinzenta, parecia mesmo uma rapozinha, por isso ficou foxie.
Demos-lhe banhinho, aquecemos-la, ela ainda tentou mamar nas maminhas da Jasmim, o que não foi possivel, mas a Jasmim acolheu-a tão bem, lambia-a e deixava-a aninhar-se para se aquecer. Procuramos leite para gatinhos bebés....e....iniciei uma excursão por todos os veterinários (existem vários) e lojas de animais para divulgar e apelar á adopção do bichinho. Quase todas as pessoas foram muito simpáticas mas não viam qualquer hipotese de ajudar. Entrei na NET e em vários sites informei da minha situação e da necessidade de arranjar um lar para a Foxie, também por aqui encontrei muitas pessoas simpáticas e igualmente interessadas em arranjar um lar para muitos outros bicharocos em necessidade.
Por mais que pusessemos o coração no bolso, a Foxie já nos tinha lançado um feitiço qualquer, talvez fosse o facto de se esconder dentro do armário dos cobertores ou atrás do frigorífico ou de não se deixar pegar por ninguem, não sei bem o que terá sido... Na Net as pessoas contactavam-me para saber se havia novidades, se a Foxie tinha tido sorte e se já tinha arranjado um lar, e três dias depois de ter chegado cá a casa, eu ia respondendo a estas pessoas, que sim, que tudo tinha corrido bem, a Foxie já tinha onde morar, em nossa casa !!
São muito diferentes estas gatitas, agora grrrrrandes, gorrrrrdas e peluuuuudas, ambas são pouquíssimo sociáveis, a Foxie foge de qualquer pessoa, se alguém “estranho” entra cá em casa, ela reserva-se ao seu espacinho dentro do guarda-fatos e ninguem a conseguirá ver a não ser que eu abra a porta deste para que as pessoas confirmem, que sim, de facto tenho um gato a viver dentro do armário.
É necessário referir que estas duas marotas abrem uma excepção da seguinte forma: A Foxie só não foge da Catarina e têm uma relação esquisita, diria de paixão, aliás ela diz que só se casa se a deixarmos levar a Foxie, que achará disto o noivo ?
A Jasmim, e ainda bem que eu não sou ciumenta, tem uma paixão pelo meu marido, o tal que não queria bicharocos cá em casa, marradinhas, cabeçadinhas e encostos felinos só o meu marido recebe, dorme ao pés da nossa cama, temos uma cama de gato cá em casa mas é só para iludir as pessoas mais sensiveis a estas situações, entretanto, por volta das 5.00 horas da manhã, ela enrosca-se doce e mole á volta da cabeça dele na almofada e vai mordiscando com toda a delicadeza uma pontinha de orelha, uma abinha de nariz, e digam lá se não há forma mais deliciosa de acordar.
De vez em quando queixo-me que um dia desses tenho que arranjar um gato que me faça miminhos, como se na verdade não fosse ao contrário, o prazer em fazer festinhas a um gato é especialmente nosso, para o gato não é particularmente importante, essa coisa das festas, desde que o pessoal não tenha dúvidas de quem é o dono da casa, que haja sempre comidinha e um lugar fofo e quente, seja onde for, onde dormir horas e horas de sono, tá-se bem.
Depois chegamos a um nível superior em que as nossas colegas de trabalho já sabem distinguir de quem são os pêlos de gato que têm na roupa delas, por isso de vez em quando surge:
- Olha, Cristina, tenho aqui no casaco um pelo da tua Jasmim, ou será da Foxie ?
Queira Deus que continuemos a ser contemplados com os seus pêlos durante muito tempo.
Cristina Dinis Roldao, 2-10-2008
quarta-feira, outubro 29, 2008
sábado, agosto 16, 2008
Se um dia
tudo o que existe existisse ao contrário,
como num calendário imaginário sem dias nem meses nem anos
apenas momentos de uma demente lógica,
os relógios não dessem nem vendessem horas
alarves grades de dura prisão
seriam memória de um tempo sem coração.
Se os anjos fossem nossos vizinhos
e nós etéreos e transparentes entes apenas estrelas cadentes.
Os pássaros voassem dentro de água
funda e plana, emplumados e destros,
os peixes nadassem dentro do ar
limpo e aberto, esguios e cintilantes,
e nós não andassemos com os pés no chão
cinzento e sólido que nos prende
soltos aéreos e vivos andassemos no ar azul
não andando sim deslizando
como o vento entre as fragas
e as nuvens nos eternos dias.
Se os astros as cores e os sabores
com humanas palavras falassem,
os humanos com emoções respondessem
na língua do silêncio e do secreto saber.
Se lutar fosse amar,
morrer fosse renascer,
parar fosse recomeçar
e tudo o que existe existisse ao contrário.
9 e 10 Dezembro 07
20-06-2005 PSICOLOGIA
Filtro incapaz, tudo retém, nada liberta em paralelo mantém o bom e o mau. Água insalubre, a mistura indistinta do que deve ficar e do que tem que sair. Matéria amorfa, a união descasada do que quero e do que não quero. Solo infértil onde crescem mostrengos vegetais filhos dos sentidos, do real e do irreal. Queria filtrar esta massa desnatural e descolorida. Queria receber a vida, sabendo escolher entre o que serve e o que não serve. Respirar o ar válido e vivo e não um fumo espesso, opaco e inútil. Que capacidade em mim está ausente? Que poder de mim se apartou? Onde os redescobrir ?
Entraram na sala aos tropeções. Samuel foi arrastado pela turma, uma onda violenta e sonora. Sentado, mole e meio adormecido, apercebe-se que á sua volta tudo é uma contínua mancha cinzenta, a sala de aula, o rosto ausente da professora, o dia lá fora, e a dois passos, o despedaçado bairro onde vive.
Está gelado, que os dias têm sido frios e os agasalhos escassos, repara que está enjoado, o estômago incomodado pelo abandono a que nunca se habitua. Lembra-se que algures não muito longe, jovens como ele saberão a que sabe um leite quente acompanhado de pão fresco com manteiga saborosa, saberão a que sabe dormir numa casa a sério, a que sabe o aconchego do edredão e de como deve ser bom enfrentar um dia de Janeiro vestido com uma roupa quentinha. O dia está tão cinzento que manchou todo o céu e debotou todas as coisas no horizonte, os edifícios, as árvores, os carros, a gente, tudo….
Impossível reter o olhar na sala de aulas que os colegas não lhe trazem boas recordações, o sorriso vago da professora a sua voz sumida, não lhe transmitem qualquer animo, se calhar era melhor sair daqui, ainda pensou, mas ir para onde?
Lá fora esticam-se para o alto os prédios que parecem muros de uma prisão de onde nunca sairá – má sorte nascer pobre.
O Seu olhar penetra na última janela do prédio mais distante, o que quase já não se vê e essa janela é apenas um ponto. Quem será que lá vive? O que haverá por trás do prédio? AH! Há o mar! O mar…
Subitamente tombam-lhe nos ouvidos os vagalhões de ondas oceânicas, azuis e salgadas, ouve nitidamente as ondas embrulhadas com o vento, sente a areia molhada debaixo dos pés, o ar cheira a sal, a mar, a chuva e vento. Tudo está vivo, inteiro, colorido e poderoso.
Impossível contrariar a vontade de se abeirar da rebentação das ondas que vêm correndo brincar com os dedos dos pés. Não sabe como foi, mas num instante o mar lhe beijou o peito magro. Era bom estar no meio de tanta vida, de tão imenso poder, de tão vibrante cor. Como seria fácil adormecer neste berço líquido, nadar ou repousar e nunca mais ver o cinzento da vida.
A campainha tocou, a aula terminou, já quase todos saíram menos o Samuel.
- Então Samuel, não sais hoje? Pergunta a professora impaciente por ir beber um café.
- S’tôra, o Samuel está todo branco e encharcado, disse a Mónica.
- Mas…não pode ser, está afogado. Disse baixinho a professora quando olhou o seu olhar azul, liquido, trespassado de água.
Poema de Mia Couto, da obra "idades cidades divindades"
AVESSO BÍBLICO
No início
já havia tudo.
Mas Deus era cego
e, perante tanto tudo,
o que ele viu foi o Nada.
Deus tocou a água
e acreditou ter criado o oceano.
Tocou o chão
e pensou que a terra nascia sob os seus pés.
E quando a si mesmo se tocou
ele se achou o centro do Universo.
E se julgou divino.
Estava criado o Homem.
segunda-feira, novembro 12, 2007
bip...
quinta-feira, agosto 16, 2007
quinta-feira, junho 28, 2007
terça-feira, junho 26, 2007
domingo, fevereiro 04, 2007
segunda-feira, janeiro 08, 2007
Descompartimentalização
O tempo, quando o apanho, enfio-o à pressa, amarfanhado em gavetas bafientas numa comoda fora de moda. Seria melhor levá-lo, ao tempo, pela mão, preso só por um cordelinho, como um balão de feira na mão de um piqueno (com grande inveja dos grandes), seguindo a passo comigo, flutuando entre os demais. Divido-o, corto-o ás fatias e arrumo-o fora de sítio, por isso dou comigo desanimada, desencantada, des-sul e des-norteada à procura do que arrumei no sítio errado. O ideal seria mantê-lo no todo que é, sem exigir, sem controlar, sem mesmo planificar ou melhor, imaginar, que o domino. Quando o libertar, tornar-se-á maior, do tamanho que é, estará mais presente e mais flexível. E isso é que era bom :o)
quinta-feira, janeiro 04, 2007
hahahaha
Natal ?!?
Sintoma de stress pós-Natálico. Fico enjoada com esta sensação de que passou e não esperou por mim, nem houve tempo para dizer olá.
Durante muito tempo, conseguia realizar nesta época uma quantidade de coisas que ao longo do ano ía deixando para depois, chegado o mês de Dezembro, inspirava-me um fôlego vindo não sei de onde e conseguia fazer algumas coisas que me pareciam importantes. Acho que este fenómeno tem várias origens possíveis: ou a memória me atraiçoa, ou a energia está diminuida, ou tenho intenções mais volumosas ou...o tempo me escapa mesmo.
Sensações recorrentes que contribuem para um enjoo cada vez mais intenso, como já tenho dito, o que é recorrente não é engraçado, e isso chateia-me ! Sinto necessidade de mudar qualquer coisa mas nem sei por onde começar, não tenho dúvida de que este desconforto, mais notório nesta altura, é o reflexo, a imagem copiada de tudo o que me acontece ao longo do resto do tempo, durante todo o ano. Aquela vontade de realizar e depois constatar que não consegui. Fugir ou enfrentar. Controlar impetos e fantasias e passar a desejar menos ou a desejar outras coisas, ou enfrentar a razão, a fonte donde não brota a energia, antes me sorve alguma que tenho, aqui surge bailando em cena, aquele meu eu muito forte, a pluralidade, a dispersão, como manter assim, a energia irradiando para todos os lados, nutrindo todos os pólos ? Pois... Disciplina e ponderação naquilo que me proponho atingir, método e empenho na concretização. Serão estes os presentos que peço ao Menino Jesus, já fora de horas certamente, mas estou disponível para os receber em qualquer altura do ano.
quarta-feira, dezembro 27, 2006
Natal
É habitual questionar-me assim: Para quê repetir aqui, porque não fazer diferente ali, qual será a razão deste hábito, que sentido faz mudar.
Ás vezes julgo que posso e devo mudar algumas coisas, não só cenários mas também atitudes. Esta sensação já se torna habitual porque me acompanha há alguns anos/natais, por isso me volto a questionar: Porque não consegui realizar a mudança ? Faltam-me ferramentas que me seriam úteis ao longo de todo o ano: disciplina, método, vontade e empenho. Na decrépita oficina, quase despojada de ferramentas que sou eu, acontece depois andar ás voltas, cega, inútil como uma barata tonta, constatando aparvalhada que me esqueci disto, que não era bem aquilo que queria, que devia ter feito de outro modo, e que no próximo ano é que é, há-de estar tudo como "idealizei", nem que tenha que começar a preparar tudo em Janeiro. Raios partam os ideais.
quinta-feira, dezembro 14, 2006
quarta-feira, dezembro 13, 2006
Natal
de corrida
Uma grande vontade de passar uma rasteira ao tempo para poder debruçar-me sobre o Eneagrama e outros assuntos aparentados. A Quinta da Regaleira anda a fazer-me cócegas, será que temos namoro ?
segunda-feira, novembro 13, 2006
estranho que se entranha
terça-feira, outubro 17, 2006
Ontem, hoje e amanhã.
Amanhã, a minha bébe completa 18 anos, sim, anos !, não são 18 dias nem 18 meses, é nada mais nada menos do que a idade da legal maioridade. Um óptimo nível de maturidade foi entretanto adquirido às voltinhas no labirinto da adolescência, que por acaso lhe trouxe desafios e aventuras nem sempre muito comuns.
Continua linda, com uma imensa cabeleira, um sorriso doce e uns olhos que parecem estrelas....um bocadinho magricela sob o ponto de vista de mãe...
Parecem dias, de facto ao longo de todos os dias que compõem estes 18 anos, crescemos muito as duas (eu especialmente pa frente), e venham muitos, muitos dias, serão todos lindos como ela.
terça-feira, outubro 03, 2006
Por isso me parecem diferentes os dias, não decidi ainda sobre que fatores terão favorecido essa mudança, ainda me divirto questionando, a uns de mim, se algo mudou mesmo, se não será apenas o efeito de nuvem passageira cobrindo o rosto da lua, ou do sol...gozando o balanço do pêndulo, antecipando a vertigem do extremo, supondo poder dominar aquilo que ainda não quer ser dominado...que diabo.
quinta-feira, setembro 21, 2006
A primeira chuvinha
Promessa de recomeço, o cíclico renascimento. Garantia de que o futuro virá, uma pausa no sufoco da vida em suspenso. I like ittt !
Dada a manía actual de catalogar as nuvens mais gordinhas em tempestades, tornados e tufões e ainda de os baptizar: Felizmino, Bernardete, Zulmira ou Estanislau devem ser as próximas escolhas, parece que a este chamaram Gordon, esta chuvinha vinha concerteza acomodada nas escamas da cauda do pequeno dragão, esta é uma das formas fantasiosas e coloridas como gosto de imaginar as nuvens mais rebeldes. É o caso deste tufão adolescente que não respondeu à chamada onde era esperado0, felizmente claro, para as populações tiradas da calma dos seus dias perante a possibilidade de perderem o pouco que têm, literalmente levado pelos ares.
Chuva, chuvinha, vem cair no meu quintal, interessante, parece que a água é um dos grandes símbolos do nosso mundo emocional e por isso este efeito terapeutico que a chuva tem algures em mim.
terça-feira, setembro 19, 2006
segunda-feira, setembro 18, 2006
domingo, setembro 17, 2006
De assinalar...
Sorriso
São bué da giras estas meninas gatas, que vida regalada; uma recosta-se sobre o traseiro da outra estendidas sobre os cadernos e livros de psicologia com a mansidão e desprendimento do menino Jesus nas palhinhas da manjedoura. Parece-me que não deve ser nada mau ser gato(a), pelo menos a Jasmim e a Foxie não se têm queixado.
XXiiii.....
Não é fácil cá chegar, estradas, ruas, atalhos, becos e finalmente como que pelo buraco da fechadura lá conseguimos entrar. Garantia certa de que este blog será mais que privado, apenas eu o visitarei !
Apetece-me postar mais umas fotos, deixa cá ver como ficam.
terça-feira, setembro 12, 2006
Sorriso
Uma questão de pluralidade... Parece ser um problema. Deve ser a tal falta de unidade e de centralidade. Está bem, se é um problema há que resolve-lo. (acho que não sou grande coisa a resolver problemas, pelo menos é o que me tem dito...). Não havendo varinha mágica, começamos por nos questionar, apetece questionar tudo e todos, mas é mesmo por nós que devemos começar. Nível básico: Porquê? Poque não. Não? Sim. Sim porque?
Da Observação de Si e da Consideração Externa, nem vestígios...Um imenso véu de aborrecimento cobre tudo. A vontade de ser, ter e estar sempre do outro lado são a expressão de uma atenção completamente desfocada. Fechada num quarto escuro com todos os meus eus, como por ordem nas coisas? Parece-me que não sou realmente nenhum desses eus. Onde ando eu então? Assusta-me a ideia de encontrar um eu meu mais expressivo e de perceber que não tenho coragem para o deixar viver entre os demais, se calhar a história dos eus não é nada disto, são apenas mais uma multidão com a qual devo/tenho que interagir sem sufocar.
quinta-feira, junho 22, 2006
terça-feira, maio 23, 2006
iknies
quinta-feira, maio 18, 2006
Querias, querias...
Gostaria de abrir aqui uma série de divisões, mais ou menos assim: uma salinha da costura para mostrar algumas das manualidades que vou conseguindo dar à luz, caso não me esqueça de as fotografar antes de seguirem viagem, pois é esse o destino mais comum das "mariquices" que consigo fazer.
Também um estúdio de fotografia para postar algumas das minhas experiências na área, não na revelação de imagens - uma das minhas grandes fantasias, mas apenas o registo das imagens que vou conseguindo tomar. Uma biblioteca trop petite, porque apesar de obter imenso prazer com a leitura, não tenho conseguido (???) últimamente ler nem o que queria, nem o que devia, nem o que podia - Mistério!
AH, e uma sebenta porque escrever faz parta da minha essência.
Uma kitchnette para blogar sobre comida, cozinha, cozinhados, receitas e afins, e ainda uma pequena estação de correios para indexar todos os postais de correio que tenho recebido via Postcrossing e todas as maravilhas que têm surgido também por essa via, também queria uma espécie de parque infantil/sala de torturas para falar dos meus filhos...E se eu não queria mais nada, ou se não queria !...
segunda-feira, maio 15, 2006
domingo, abril 16, 2006
Parece-me que sim que já há blog
Gosto de escrever. Banalidades talvez mas a mim faz-me falta.
Um diário de teclado, um diário que partilhamos com os outros.
Haverá outros pontos positivos, a ver se os descubro.
De negativo, só o tempo que não tenho para dar asas às pontas dos dedos no teclado.











































